Representantes de várias correntes políticas reagiram nas redes sociais à prisão de Jair Bolsonaro (PL). O ex-presidente teve prisão preventiva decretada neste sábado (22) pelo ministro Alexandre de Moraes, que apontou para risco de fuga e uma tentativa do ex-presidente de violar sua tornozeleira eletrônica.

Bolsonaro foi condenado a 27 anos e 3 meses de detenção no julgamento da trama golpista que tentou impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), após vitória do petista na eleição presidencial de 2022.

O ex-presidente foi sentenciado culpado pelos crimes de:

  • Organização criminosa armada;
  • Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito;
  • Golpe de Estado;
  • Dano qualificado pela violência e grave ameça contra o patrimônio da União, e com considerável prejuízo para a vítima;
  • Deterioração de patrimônio tombado.

Governistas

Gleisi Hoffmann

A ministra da Secretaria de Relações Institucionais afirmou que a prisão de Bolsonaro é legítima e seguiu “os ritos do devido processo legal”.

“A decisão do ministro Alexandre de Moraes está fundamentada nos riscos reais de fuga do chefe da organização golpista, na iminência do trânsito em julgado de sua condenação para cumprimento de pena”, enfatiza.

“Também leva em conta, acertadamente, os antecedentes de um processo marcado por violentas tentativas de coação da Justiça, como o tarifaço e as sanções da Magnitsky. Na democracia, a Justiça se cumpre”, conclui.

Guilherme Boulos

O ministro da Secretária-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, enfatizou que “ninguém está acima da democracia” e que “ninguém pode trair a pátria impunemente”.

“Que a prisão de Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado represente um grande marco para nossa história: Ditadura nunca mais!”, escreveu na rede social X.

Lindbergh Farias

Líder do PT na Câmara, o deputado federal defendeu logo pela manhã que a prisão de Bolsonaro “se baseou na necessidade de garantir a ordem pública, justamente porque, mesmo em prisão domiciliar, Bolsonaro seguia atuando politicamente para tensionar o ambiente e pressionar instituições”.

“A vigília convocada por Flávio Bolsonaro para esta noite, que transformou o processo criminal em ato político, pesou diretamente na decisão. A mobilização buscava criar clima de intimidação ao STF e à PF, reforçando o risco de desestabilização institucional e de interferência no andamento do processo, com a realização de aglomeração para impedir a prisão definitiva, inclusive com armas de fogo, além de indicar possível intenção de fuga, por violação da tornozeleira eletrônica.”

Farias disse comemorar “a prisão de Jair Bolsonaro porque ela representa uma vitória da democracia”.

“Sempre manifestei preocupação com risco de fuga, como ocorreu com Zambelli, Eduardo e Ramagem. Bolsonaro já tentou abrigo na embaixada da Hungria, redigiu pedido de asilo para a Argentina e recebi informações de que pretendia ir à embaixada dos EUA no auge da crise diplomática. Por isso peticionei pela prisão preventiva dele e, alternativamente, a imposição de cautelares de monitoramento eletrônico, prisão domiciliar e um grupo policial permanente ao redor da casa dele para fiscalizar o cumprimento das medidas.”

Chico Alencar

O deputado federal pelo PSOL do Rio de Janeiro apontou, em nota, que a prisão “se deveu à inobservância de determinações impostas pela Justiça desde sua condenação, em setembro”.

“A fuga do delegado Ramagem, seu ex-chefe da Abin e fiel escudeiro, pros EUA (tb [sic] com prisão decretada), a continuada pregação golpista de Eduardo Bolsonaro lá fora e a convocação de Flávio Bolsonaro para ato hoje, ‘invocando o Senhor dos Exércitos’ (!?!) e a tentativa do ‘Messias’ de romper o lacre da tornozeleira compõem um quadro de aberto desrespeito à Constituição, à Justiça, à nossa ainda frágil democracia. São ameaças à ordem pública democrática que não podem ser naturalizadas”, enfatizou.

Fernanda Melchionna

Deputada federal pelo PSOL do Rio Grande do Sul, Melchionna compartilhou vídeo com a notícia da prisão de Bolsonaro e escreveu “um bom dia desses hein?!”.

Bolsonaristas

Defesa de Bolsonaro

Em nota, a defesa de Bolsonaro diz ter recebido com “perplexidade” a notícia da prisão, sobretudo considerando que a vigília organizada pelo senador Flavio Bolsonaro foi um dos motivadores da ordem de Moraes.

“A Constituição de 1988, com acerto, garante o direito de reunião a todos, em especial para garantir a liberdade religiosa. Apesar de afirmar a ‘existência de gravíssimos indícios da eventual fuga’, o fato é que o ex-Presidente foi preso em sua casa, com tornozeleira eletrônica e sendo vigiado pelas autoridades policiais”, pontua.

“Além disso, o estado de saúde de Jair Bolsonaro é delicado e sua prisão pode colocar sua vida em risco. A defesa vai apresentar o recurso cabível”, completa.

Clã Bolsonaro

Michelle Bolsonaro

Uma das primeiras a se manifestar no dia, logo após a notícia da prisão de Bolsonaro, a ex-primeira-dama disse confiar na “Justiça de Deus” e citou passagens bíblicas em um texto dedicado ao marido, vinculando-o sempre à religião.

“A sua saúde traz sequelas até hoje por causa desse episódio [a facada de 2018], mas em Deus ele é forte. Ele é GRANDE, e eu o amo muito, Não o deixarei desistir do propósito que o Senhor confiou a ele”, escreveu Michelle em publicação nas redes sociais.

“Seguimos em oração. O Brasil precisa da nossa intercessão.”

Flavio Bolsonaro

Em live no YouTube, o senador criticou a prisão preventiva do pai, falando em um “absurdo completo”.

O filho “01” do ex-presidente disse que a ordem de Moraes era um exemplo de “perseguição religiosa” e “guerra espiritual”. Apesar da prisão, Flavio manteve a convocação para a vigília que, segundo o despacho do ministro do STF, seria um dos motivos para se pedir a prisão.

Eduardo Bolsonaro

Em entrevista à CNN Brasil, o filho “02” defendeu que não há democracia num cenário eleitoral sem ele, o irmão Flavio e o pai. Questionado sobre um potencial boicote da direita ao pleito de 2026, avaliou que “é uma questão que pode ser discutida”.

Para ele, tanto faria quem fosse o candidato da direita a disputar a presidência em 2026. “Por mais que possa ser visto como alguém de direita, não terá poder para agir livremente, vai ter que pedir benção ao STF [Supremo Tribunal Federal]”, disse Eduardo à CNN Brasil neste sábado.

O deputado federal ainda disse ser a favor de que os condenados na ação penal do plano de golpe fujam do Brasil.

Carlos Bolsonaro

O filho “03” do ex-presidente se reservou a comentários na rede social X. Em seu texto, o vereador do Rio de Janeiro fala em um plano orquestrado para silenciar Bolsonaro.

“O objetivo não muda: querem Jair Bolsonaro enterrado vivo. Ou morto, como já tentaram. Tudo para que a democracia das cartas marcadas e do teatro das tesouras volte a funcionar como sempre funcionou antes da ruptura que a eleição de Jair Bolsonaro em 2018 representou para os esquemas estabelecidos”, pontua Carlos.

O filho ainda pediu pela liberdade do pai e instigou que “cabe a todos nós lutar para manter vivos e livres todos os perseguidos pela tirania, sem descanso, sem desânimo, sem cálculos eleitorais, sem interesses eleitorais”.

Renato Bolsonaro

O irmão do ex-presidente lamentou o que chamou de “notícia absurda”, apontando-a como “uma determinação sem sentido, sem qualquer base motivo. Tudo orquestrado para prender o Jair no dia 22”.

“Qual o motivo de prender o Jair? Estão alegando que foi porque o Flávio convocou uma vigília a favor do Jair. Então quer dizer que não podemos nem nos reunir para clamar por Justiça ou orar pelo nosso presidente? Querem tirar até nosso direito de se manifestar? Bolsonaro já foi condenado sem motivo e agora é preso sem motivo, com o processo ainda em tramitação”, questionou.

Nikolas Ferreira

O deputado federal de Minas Gerais gravou um vídeo, com legenda em inglês, no qual questiona a ordem de prisão expedida por Moraes.

Valdemar Costa Neto

O presidente nacional do PL lamentou à CNN Brasil que a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro tenha sido convertida em preventiva.

“Ele já estava preso”, disse Valdemar, reafirmando que acredita na inocência do ex-presidente.

Sóstenes Cavalcante

O deputado federal e líder do PL na Câmara afirmou que o fato de a prisão preventiva de Bolsonaro ter acontecido no dia 22 mostra a “psicopatia de alto grau” do ministro Alexandre de Moraes.

“Prender no dia 22, justamente o número do partido, um homem inocente, que reviraram a vida dele toda e não acharam um roubo sequer. É a maior injustiça da história. Presidente Bolsonaro, estaremos sempre ao seu lado. Um abraço, força neste momento, e todos nós vamos reagir à altura dos acontecimentos”, enfatizou.

Partido Liberal

A legenda de Bolsonaro também se manifestou em nota, destacando a questão da saúde do ex-presidente para apontar a prisão como “desnecessária”.

Segundo o PL, a defesa do ex-presidente vai tomar as medidas cabíveis para tentar reverter a decisão.

Tarcísio de Freitas

O governador do estado de São Paulo apontou que a prisão do ex-presidente “atenta contra o princípio da dignidade humana”.

“Jair Bolsonaro tem enfrentado todos os ataques e todas as injustiças com a firmeza e a coragem de poucos. Tirar um homem de 70 anos da sua casa, desconsiderando seu grave estado de saúde e ignorando todos os apelos provenientes das mais diversas fontes, todos os laudos médicos e evidências, além de irresponsável, atenta contra o princípio da dignidade humana”, escreveu na rede social X.

“Bolsonaro é inocente e o tempo mostrará. Seguimos firmes ao seu lado e lutaremos para que essa injustiça seja reparada o quanto antes.”

Claudio Castro

O governador do Rio de Janeiro refletiu que a prisão do ex-presidente “deixa claro o quanto ainda precisamos evoluir como nação e como democracia”.

“Um presidente que sempre viveu o simples, ao lado do povo, mereceria um mínimo de deferência. De prisões em prisões, vamos descontruindo uma instituição chamada Presidência da República. […] Seguiremos firmes em defesa das liberdades e da democracia – hoje e sempre.”

Ronaldo Caiado

O governador de Goiás disse que não são razoáveis os argumentos usados pelo STF na decisão contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, e que “a resposta virá das ruas e do povo” nas eleições de 2026.

Pré-candidato à Presidência da República, Caiado gravou um vídeo para manifestar solidariedade a Bolsonaro e à sua família, mas também questionou as alegações do ministro Alexandre de Moraes ao ordenar a prisão preventiva do ex-presidente.

Jorginho Mello

O governador de Santa Catarina publicou nas redes sociais que “para qualquer expectador externo é no mínimo confuso entender a situação atual brasileira”.

Filiado ao PL, Mello defendeu que “Jair Bolsonaro não teve um julgamento justo e vem sendo priovado de liberdade antes mesmo da sua condenação. Hoje, mais um golpe contra seus direitos”.

Romeu Zema

Já o governador de Minas Gerais disse que a prisão foi feita “de forma arbitrária e vergonhosa para nossa história”.

Apontou que a medida do ministro do STF “não é Justiça, é abuso de poder”.

“Nossa luta por um Brasil de ordem, trabalho e verdade continua. Meu abraço aos filhos e familiares. Esse não é o Brasil que queremos.”

Hamilton Mourão

O ex-vice-presidente e senador publicou que “Bolsonaro não constitui uma ameaça a [sic] ordem pública e sua transferência para a PF mostra claramente que o arbítrio e a perseguição não tem fim”.

Damares Alves

A senadora, que chefiou a pasta da Mulher, Família e Direitos Humanos na gestão Bolsonaro, lamentou a prisão do ex-presidente.

Em áudio encaminhado por sua assessoria, Damares disse que Bolsonaro está preso e condenado “injustamente”.

“Precisavam de um pretexto e encontraram: a oração que o filho chamou hoje à noite. Lamento, mas a gente já sabia que Alexandre de Moraes tomaria uma decisão desta. Só espero que a vida de Bolsonaro seja preservada”, declarou a parlamentar.

Enquanto isso, em publicação na rede social X, defendeu que a Câmara dos Deputados vote imediatamente a anistia.

Rogério Marinho

Em entrevista à CNN Brasil, o senador também argumentou sobre a saúde de Jair Bolsonaro, dizendo que pela sua idade e condições debilitadas a prisão não seria o mais adequado.

Zucco

O deputado federal e líder da oposição na Câmara publicou um vídeo no Instagram chamando a prisão preventiva de injusta e afirmou ter sido uma “vingança”.

“Aquele que lutou contra o sistema, hoje está sendo refém dele”, pontuou na gravação.

Carol de Toni

Em entrevista à CNN Brasil, a parlamentar classificou a medida como “arbitrária” e parte de uma perseguição política.

De Toni avalia que os três principais argumentos utilizados na decisão judicial não se sustentam. A deputada contestou especialmente o ponto relacionado à vigília que estava programada em frente à residência de Bolsonaro, argumentando que existe mais de um quilômetro de distância entre a portaria do condomínio e a casa do ex-presidente, além de destacar que manifestações são um direito fundamental garantido pela Constituição.

Marcel van Hattem

O deputado federal do Novo do Rio Grande do Sul classificou a prisão de Bolsonaro como “mais um ato da escalada autoritária de Alexandre de Moraes”).

“Bolsonaro já estava ilegalmente mantido em prisão domiciliar, sem sequer ter sido denunciado pelo Ministério Público no inquérito em que foi decretada a sua ilegal prisão domiciliar, e agora é novamente alvo de um abuso injustificável”, afirmou o parlamentar.

Hélio Lopes

Lopes relatou, em entrevista à CNN Brasil, que estava realizando orações quando observou um comboio de cinco viaturas descaracterizadas por volta das 5h da manhã. Bolsonaro deixou às 6h25 e foi levado para a superintendência da PF.

O deputado federal contestou os motivos apresentados para a prisão preventiva e chamou de “cristofobia”.

Marcos do Val

O senador também questionou a motivação da prisão de Bolsonaro estar ligada à vigília de Flavio, dizendo ser “uma das maiores aberrações já vistas no Brasil, um ataque direto à liberdade”.

Carlos Jordy

Deputado federal pelo PL do Rio de Janeiro, Jordy questionou “qual a ameaça a ordem pública um ato de oração pela vida de um idoso com a saúde debilitada?”.

Além disso, apontou que “Moraes quer matar Bolsonaro. É muita crueldade, covardia e injustiça!”.

Centrão

Arthur Lira

O ex-presidente da Câmara, deputado federal Arthur Lira (PP-AL) defendeu que a prisão do ex-presidente é injustificada e “reabre as feridas da polarização política que turva o futuro do Brasil”.

Lira ainda ressaltou que “nenhum país pode se orgulhar de ter seus últimos presidentes presos”. O deputado apontou para os efeitos prejudiciais que eventos como este geram a imagem de um país, afetando “a economia, a geração de empregos” quando se “criminaliza a política”.





Fonte: CNN Brasil