O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) pediu, na sexta-feira (9), a inclusão de João Ricardo Mendes, ex-CEO da agência de viagens Hurb, na lista vermelha de procurados da Interpol, além do bloqueio de seu passaporte.

Segundo o MPRJ, João Ricardo está foragido desde quarta-feira (7), quando a Justiça do Rio decretou sua prisão preventiva após identificar o descumprimento reiterado de medidas cautelares impostas em processos criminais.

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O ex-executivo foi denunciado em maio de 2025 pelos crimes de furto qualificado e adulteração de identificação de veículo e respondia em liberdade.

Na última segunda-feira (5), ele foi preso em flagrante no Aeroporto Regional de Jericoacoara, no Ceará, ao tentar embarcar usando documento falso e com a tornozeleira eletrônica descarregada.

Apesar da prisão, João Ricardo teve a liberdade provisória concedida após audiência de custódia, mediante o cumprimento de novas medidas cautelares, como restrições de deslocamento e obrigações periódicas perante a Justiça.

Diante do episódio, o MPRJ solicitou a prisão preventiva, argumentando que o réu vinha descumprindo sistematicamente as determinações judiciais.

Ao acolher o pedido, o juízo destacou que o relatório de monitoramento eletrônico apontou reiteradas violações, especialmente pela conduta de permitir que a tornozeleira permanecesse descarregada.

Com a não localização do ex-CEO após a ordem judicial, o Ministério Público requereu a inclusão do nome de João Ricardo Mendes na difusão vermelha da Interpol, mecanismo utilizado para localizar e prender foragidos internacionais.

Quem é João Ricardo

João Ricardo Rangel Mendes, de 44 anos é o fundador da plataforma de turismo Hurb (anteriormente conhecida como Hotel Urbano), criada em janeiro de 2011. Sua trajetória à frente da empresa foi marcada por controvérsias, que culminou em sua renúncia ao cargo de CEO em abril de 2023.

A saída ocorreu em meio a uma crise de imagem por reclamações de clientes sobre cancelamentos de reservas e problemas financeiros da empresa. A situação se agravou após acusações de que Mendes insultou e ameaçou expor dados pessoais de clientes insatisfeitos nas redes sociais.

O pai de João Ricardo morreu durante a infância do empresário, que foi criado pela mãe junto com o irmão. Antes de fundar a Hurb, um de seus primeiros empreendimentos foi uma barraca de bebidas na praia. Ele também iniciou o curso de direito, mas não o concluiu.

Além da crise de relacionamento com os clientes, Mendes e a Hurb foram convocados a depor na CPI das Pirâmides Financeiras por acusações de utilizar o dinheiro dos clientes como capital de giro e de não cumprir contratos. Eles não compareceram à sessão inicial da CPI.

“O Hurb é como se fosse um ‘filho’ para mim, mas eu preciso de um tempo para refletir, para voltar a atenção para mim, e, quando me sentir melhor, voltar a focar na construção de uma empresa de tecnologia de nível global”, diz a carta.



Fonte: CNN Brasil