O ex-delegado da Polícia Civil, Ruy Ferraz Fontes, foi assassinado a tiros na segunda-feira (15), na cidade de Praia Grande, litoral de São Paulo. A CNN separou os principais pontos sobre a execução e a vida do homem considerado um dos principais inimigos do PCC (Primeiro Comando da Capital).
A morte de Ruy começa em uma perseguição. Um vídeo mostra que criminosos perseguem, em alta velocidade, o carro do ex-delegado. O veículo é alvo de tiros, perde o controle e se choca com um ônibus durante a fuga.
Vídeo: ex-delegado foi morto com tiro de fuzil no litoral; carro capotou
Ainda nas imagens, é possível ver que os assassinos, ainda não identificados, saem do carro e o executam. Em seguida, fogem do local.
Já o veículo utilizado pelos homens que mataram o ex-delegado Ruy Ferraz Fontes, foi encontrado incendiado após o crime. Outras duas pessoas ficaram feridas durante a ação.
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Inimigo do PCC e jurado de morte
Atualmente, o ex-delegado Ruy Ferraz Fontes ocupava o cargo de secretário de Administração da Prefeitura de Praia Grande e tinha mais de 40 anos de carreira na Polícia Civil de São Paulo, da qual estava licenciado.
Ao longo de sua trajetória, ele ocupou alguns dos principais cargos da corporação: foi delegado-geral de Polícia, diretor do Departamento de Polícia Judiciária da Capital (Decap) e atuou em unidades estratégicas como o Deic, Denarc e DHPP.
Ganhou notoriedade por enfrentar a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), sendo considerado um dos principais inimigos da organização.
Em 2006, ele foi o responsável por indiciar toda a cúpula da facção, inclusive Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, antes de os bandidos serem isolados na penitenciária 2 de presidente Venceslau.
Por conta de sua atuação, o ex-delegado era jurado de morte pela facção.
Formado em Direito pela Faculdade de São Bernardo do Campo, com pós-graduação em Direito Civil, ele também possuía especialização em Administração Pública. Participou de cursos internacionais, como treinamento antidrogas e antiterrorismo na França e aperfeiçoamento em repressão ao narcotráfico no Canadá.
Em janeiro de 2023, assumiu a Secretaria de Administração de Praia Grande, função que exercia até ser assassinado.
Ação premeditada
O delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo, Artur Dian, afirmou que o assassinato do ex-delegado-geral, Ruy Ferraz Fontes, teve características de uma ação planejada e de alta complexidade.
“Pela complexidade que a gente viu na ação criminosa propriamente dita, possivelmente ele tenha sido seguido outros dias também”, disse Dian, destacando o cuidado e o planejamento do ataque, que envolveu mais de 20 disparos contra o veículo do ex-delegado.
Segundo o delegado-geral, a ação contou com armamento pesado, incluindo carregadores de fuzil e munições, encontrados em um dos veículos abandonados.
“No momento da perícia, constatamos que os tiros foram efetuados com técnicas apuradas. Nenhuma linha de investigação será descartada; vamos trabalhar incansavelmente para capturar os responsáveis”, acrescentou.
“As equipes de investigação e operacionais estão totalmente mobilizadas, seguindo as orientações do governador Tarcísio e do secretário Derrite. Não vamos parar enquanto não prender esses criminosos”, afirmou.
Força-tarefa após execução
O governo de São Paulo reforçou o policiamento no litoral após o assassinato de Ruy Ferraz Fontes, ex-delegado da Polícia Civil.
Nas redes sociais, o secretário da Segurança Pública, Guilherme Derrite, lamentou a morte e afirmou que uma força-tarefa foi integrada para identificar e prender os responsáveis, com prioridade determinada pelo governador Tarcísio de Freitas.
Ainda sem a identificação dos responsáveis pela execução de Ruy, a investigação do caso deve contar com o apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).
As investigações seguirão nesta terça-feira (16).
Posicionamentos
A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) lamentou a morte.
Além disso, a Associação dos Delegados de Polícia do Brasil (Adepol do Brasil) também lamentou o ocorrido: “Trata-se de uma tragédia de proporções inenarráveis, que atinge não apenas a Polícia Civil, mas toda a sociedade brasileira, pois cala uma voz firme e comprometida com a lei, a justiça e a proteção da cidadania.”
*Em atualização
Fonte: CNN Brasil