A Justiça negou o pedido de Nayara Thais Silva Lima para retirar das avós a guarda da filha da médica Nádia Tamires, que está presa após matar o ex-marido, o também médico Alan Carlos, em 16 de novembro, em Arapiraca (AL). O crime, registrado por câmeras de segurança, gerou uma disputa judicial em torno da criança, que, segundo a família da médica, teria sido vítima de abuso sexual. No entanto, a alegação ainda não foi confirmada oficialmente.

A CNN Brasil teve acesso à decisão, assinada pelo juiz plantonista de Palmeira dos Índios, Ewerton Luiz Chaves Carminati, nesta terça-feira (25).

Para a negativa, o magistrado considerou que a guarda já havia sido concedida às avós apenas seis dias antes do pedido. Na decisão, o juiz também destacou que os documentos apresentados pela tia para contestar a capacidade das avós não eram recentes, com registros de 2024 e de anos entre 2014 e 2021. O juiz, então, concluiu que não havia risco imediato que justificasse medida urgente em um plantão.

Segundo o Tribunal de Justiça de Alagados, o caso agora segue para análise da Vara de Família da Comarca de Arapiraca, sob sigilo.

Na última sexta-feira (21), em um vídeo publicado nas redes sociais, os irmãos de Nádia, Nayara Thais e Elias, afirmaram que possuem laudos e exames médicos que indicariam abuso sexual sofrido pela criança quando ela tinha pouco mais de dois anos. O pai, ex-marido de Nádia, Alan Carlos, seria o autor da violência.

No vídeo, Nayara Thais afirmou que a família tentou evitar exposição, mas decidiu se pronunciar diante da repercussão: “Ela tinha pouco mais de dois anos de idade. Nós temos provas, nós temos laudos. […] Tenho aqui laudo onde mostra a lesão do estupro da neném. […] Tem um laudo também de uma clínica de perícia, onde foi comprovado o estupro”.

Como o processo corre sob sigilo, nenhuma dessas informações foi confirmada oficialmente.

A advogada Júlia Nunes, junto a Luiz Lessa e Ricardo Moraes, anunciou, também nas redes sociais, que passou a representar Nádia e a criança. No mesmo vídeo divulgado na sexta-feira, a advogada afirmou: “Muitas mulheres são silenciadas, a maioria delas pela força da mão do homem, até mesmo pela morte. Mas tem outras que são silenciadas até pelo próprio sistema e pela justiça. Eu estarei aqui como mulher, como sobrevivente e atuando como advogada para defender os interesses, não da Nádia, mas principalmente da menor, que encontra-se em perigo”

As afirmações são exclusivas da família, sem confirmação da polícia ou da Justiça.

Relembre o caso

Polícia apreende duas armas na casa de médico morto em Alagoas

O médico Alan Carlos de Lima Cavalcante foi morto a tiros em 16 de novembro, em frente a uma UBS de Arapiraca. Segundo a Polícia Civil de Alagoas, ele estava dentro do carro quando foi atingido e morreu no local.

Imagens de câmeras de segurança mostram Nádia descendo de um veículo armada, apontando para o ex-marido. Presa horas depois, ela alegou ter agido em legítima defesa, versão que não foi confirmada pelas autoridades.

A reportagem tentou contato com a equipe de defesa da família do médico Alan Carlos. O espaço permanece aberto para esclarecimentos.



Fonte: CNN Brasil