O teste de HPV realizado com sangue menstrual pode se tornar uma alternativa robusta ou até um substituto para o rastreamento convencional do câncer de colo do útero feito por profissionais de saúde.

A conclusão faz parte de um estudo conduzido na China e publicado nesta quarta-feira (11) pelo periódico científico The BMJ.

A técnica é apontada como uma via prática para ampliar o acesso ao diagnóstico, especialmente para mulheres que evitam o exame clínico por medo de dor, estigma ou falta de privacidade.

A pesquisa foi baseada na análise de 3.068 mulheres, com idades entre 20 e 54 anos, acompanhadas entre setembro de 2021 e janeiro de 2025 em comunidades urbanas e rurais da província de Hubei.

Para a realização dos testes, as participantes utilizaram um “minipad” — uma fita de algodão estéril acoplada a um absorvente comum — para a coleta do sangue menstrual.

Os resultados foram comparados com amostras cervicais coletadas por médicos em ambiente de consultório.

Resultados

Os dados mostram que a sensibilidade do teste de sangue menstrual para detectar lesões de alto grau (CIN2+) foi de 94,7%, índice superior aos 92,1% registrados na coleta clínica tradicional.

Embora a especificidade do método doméstico tenha sido ligeiramente inferior (89,1% contra 90%), o valor preditivo negativo (a probabilidade de uma pessoa com resultado negativo realmente não ter a doença) foi idêntico em ambos os procedimentos, atingindo 99,9%.

A integração do processo com o aplicativo móvel “Early Test” permitiu que as participantes acessassem resultados e orientações médicas de forma direta.

De acordo com os pesquisadores, essa agilidade na comunicação reforça a viabilidade de implementação do método em larga escala.

Os autores do estudo defendem que os achados apoiam a inclusão do teste de HPV baseado em sangue menstrual nas diretrizes nacionais de rastreamento do câncer cervical como uma alternativa padronizada e não invasiva.



Fonte: CNN Brasil