O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse na terça-feira (6) que os republicanos precisam vencer as eleições legislativas de meio de mandato de 2026 — caso contrário, ele será alvo de um impeachment pelos democratas.

“Vocês precisam vencer as eleições de meio de mandato porque, se a gente não vencer, vai ser simplesmente assim — quer dizer, eles vão encontrar um motivo para um impeachment”, disse Trump a parlamentares republicanos durante um retiro em Washington. “Eu vou sofrer impeachment.”

Antes das eleições de novembro, que podem travar sua agenda e expô-lo a investigações no Congresso, Trump provocou e pressionou aliados que controlam por margem estreita a Câmara dos Representantes dos EUA. Ele pediu que deixassem de lado suas diferenças e vendessem suas políticas sobre gênero, saúde e integridade eleitoral a um eleitorado americano irritado com o custo de vida.

“Eles dizem que, quando você vence a presidência, você perde as eleições de meio de mandato”, disse Trump. “Eu gostaria que alguém me explicasse que diabos está acontecendo com a mente do público.”

Poucas observações sobre o custo de vida

Logo após uma ousada operação militar contra o líder da Venezuela, Nicolás Maduro, Trump passou a sofrer pressão para mudar o foco para questões internas, especialmente preocupações com inflação e preços. Na terça-feira, Trump falou pouco sobre esse tema, exceto para dizer que herdou o problema dos democratas e que os republicanos deveriam fazer campanha destacando os fortes ganhos do mercado de ações dos EUA.

Ele fez apenas uma breve menção ao ataque de 6 de janeiro de 2021 ao Capitólio dos EUA por seus apoiadores, enquanto os democratas no Congresso marcaram o quinto aniversário do motim acusando os republicanos de um “encobrimento” da história.

Os parlamentares se reuniram no Centro de Artes Cênicas John F. Kennedy, uma instituição criada e nomeada pelo Congresso. Trump removeu seu conselho de indicados democratas no ano passado, e os conselheiros remanescentes votaram em dezembro para renomear o centro, incluindo o nome de Trump ao lado do do ex-presidente Kennedy.

Ali, em um discurso improvisado que durou 84 minutos, Trump refletiu sobre o conselho de sua esposa para que ele parasse de dançar em público.

Ele repetiu várias informações falsas, incluindo a de que Washington não havia registrado homicídios nos últimos sete meses. A polícia de Washington relatou um assassinato na véspera de Ano Novo e informou que 127 homicídios ocorreram em 2025. Ele também disse que “não tem jogado muito” golfe, apesar de ter jogado recentemente, no domingo (4), e regularmente ao longo de seu tempo no cargo.

Trump previu que os republicanos superariam as probabilidades e conquistariam uma “vitória épica” nas eleições de meio de mandato, mas também reclamou de alguns membros que não seguem a linha do partido.

Todas as cadeiras da Câmara e um terço das do Senado estarão em disputa em novembro. Presidentes em exercício perderam cadeiras na Câmara em todas as eleições de meio de mandato desde George W. Bush, em 2006.

Trump pediu que seu partido reagisse com mais firmeza à mensagem quase unificada dos democratas sobre saúde, já que o partido de oposição defende a extensão de subsídios expirados que tornaram os planos do Obamacare mais acessíveis para milhões de americanos.

Ele disse que os membros conservadores deveriam ser “um pouco flexíveis” quanto à insistência de incluir as disposições da Emenda Hyde em seus planos de saúde, o que impediria que o dinheiro dos contribuintes fosse destinado a serviços de aborto.

“Todas essas questões são questões muito importantes, mas vocês podem controlar a saúde”, ele disse aos parlamentares. “Resolvam isso.”

Trump busca expandir o poder Executivo

Trump sofreu impeachment duas vezes pela Câmara dos Representantes liderada pelos democratas durante seu mandato de 2017 a 2021. Os democratas o criticaram por sua política sobre a Ucrânia e pelo motim de 6 de janeiro de 2021 no Capitólio, liderado por seus apoiadores. O Senado votou por absolvê-lo em ambos os casos.

Alguns democratas da Câmara já apresentaram artigos de impeachment acusando Trump de abusos de poder em seu segundo mandato, acusações que a Casa Branca nega.

Atualmente, os republicanos controlam a Câmara por apenas cinco votos, uma margem estreita que tem frustrado tanto Trump quanto o presidente da Câmara, Mike Johnson. Trump tem buscado expandir seus poderes para agir de forma autônoma em áreas que vão desde imigração até ação militar e regulamentação federal. Ele enfrentará em breve uma importante decisão da Suprema Corte sobre se o uso amplo de tarifas por ele usurpou um poder que a Constituição concedeu ao Congresso.

Os republicanos da Câmara têm demonstrado grande deferência a Trump, cedendo grande parte da autoridade do Congresso sobre gastos e outros assuntos à sua administração. No entanto, começaram a mostrar sinais de independência. A Câmara pode votar esta semana para anular um veto emitido por Trump no mês passado, que cancelou projetos de infraestrutura no Colorado e na Flórida, embora não esteja claro se o esforço obterá a maioria de dois terços necessária.



Fonte: CNN Brasil